Capes pode descredenciar 119 cursos de mestrado e doutorado no país


BRASÍLIA E RIO — A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC) poderá descredenciar 119 programas de pós-graduação do país. Esses programas stricto sensu (mestrado, doutorado e mestrado profissional) receberam as notas mais baixas na mais recente avaliação do MEC, cujo resultado foi divulgado hoje no Diário Oficial da União. Os reprovados terão 30 dias para apresentar recurso à nota atribuída na avaliação oficial. As notas mais baixas, 1 e 2, representam 2,8% do total de programas avaliados.

Já um terço dos programas obteve nota 3, considerado padrão mínimo de qualidade. Segundo a Capes, esse percentual não deve ser considerado como significado de rendimento ruim porque boa parte deles é recém-criada ou foi submetido a apenas dois processos de avaliação. Ou seja, ainda é preciso esperar para ver se o programa se estrutura ou se os problemas perduram e não são corrigidos.

Os programas com nota 3, numa escala de 1 a 7, correspondem a 32,8% dos 4.175 programas existentes no país.

— Temos que ter uma atenção especial a esse grupo que está com nota 3. Para um curso novo existir é necessário que ele tenha as qualificações desta nota e com chance de atingir outras maiores nas próximas avaliações — avalia Robert Verhine, professor titular da Universidade Federal da Bahia e doutor em educação comparada.

UERJ não teve programas descrenciados

No outro extremo, com padrão internacional de excelência evidenciado pelas notas 6 ou 7, estão apenas 11,1% dos programas, enquanto 17,9% alcançaram média 5, que mostra excelência nacional. Com nota 4, que representa bem ou muito bem avaliado, são 35,4%. Mesmo passando por uma crise financeira nos últimos anos, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) foi uma das que não tiveram programas descredenciados. UFRJ, USP, UFF, IME e UNB tiveram cursos de mestrados e doutorados descredenciados.

— A avaliação leva em conta quatro anos e as coisas que acontecem nos programas de pós-graduação não mudam rapidamente. A Uerj tem toda uma história construída, com um corpo docente constituído e forte. O impacto dos cortes demoram mais na pós-graduação — afirma Robert.

Os dados fazem parte da Avaliação Quadrienal 2017, que abrangeu os 4.175 programas de pós-graduação e seus 6.303 cursos em 49 áreas de conhecimento. A análise leva em conta cinco quesitos: proposta do programa, corpo docente, corpo discente, produção intelectual e inserção social.
Dos cursos relacionados, são 3.398 mestrados, 2.202 doutorados e 703 mestrados profissionais. O número de formações cresceu 25% desde 2013, quando foi feita a última avaliação. O mestrado profissional apresentou o maior incremento proporcional no período, passando de 397 para 703 cursos, um salto de 77%.

— O mestrado profissional está sendo promovido por duas razões. A primeira é alinhar o conhecimento acadêmico com outras áreas da sociedade. Temos problemas com inovação por essa falta de integração. A segunda razão é que a Capes tem uma política de não financiamento dos programas profissionais. Promovê-los é bom para a Capes que não gasta dinheiro com eles — diz Robert.

Nas instituições públicas, 12,5% dos programas de pós-graduação alcançaram as melhores notas (6 e 7), contra apenas 5% das formações no ensino privado. Já no extremo oposto, com as menções mais baixas (1 e 2), o fenômeno se repete: 2,6% das formações oferecidas pelas públicas e 3,75% pelas particulares estão nessa faixa de avaliação. O mestrado é a pós-graduação stricto sensu com mais concluintes no Brasil. De 2013 a 2016, o país formou 187.971 mestres, 72.454 doutores e 32.513 mestres profissionais. No total, foram 80.197 pessoas tituladas no ano passado – um aumento de quase 20% em relação a 2013.

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