Destino, ação e sabedoria na literatura oral do sertão


Revista da Academia de Letras da Bahia, ISSN 1518-1, nº 50, p. 125-140, Salvador, 2011.

«O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever». Essas foram as palavras introdutórias do discurso proferido pelo Nobel de literatura de 1998, o escritor português José Saramago, referindo-se ao seu avô, um camponês com quem disse ter aprendido as coisas mais importantes de sua vida. O texto publicado diz respeito exatamente àquele da palestra aos integrantes da Academia de Letras da Bahia em 05/08/2010, atendendo ao convite de seu então presidente o Prof. Edivaldo Boaventura. O texto não apenas sugerirá que a oralidade é capaz de instituir um verdadeiro modelo de literatura, mas no contexto em que se situa – o da cultura do sertão –, identifica uma certa sabedoria e uma certa visão de mundo naquelas narrativas trágicas que se encontram na oralidade sertaneja. A consciência da vulnerabilidade e de um Destino que lhe surpreende é uma desculpa para a acomodação ou um desafio para superar a adversidade que o sertanejo tem diante de si? O autor tem uma visão otimista da tragédia, e nos textos da música caipira e dos cordéis especialmente, mostra que o homem do sertão procurará, na ação e na cultura, o alívio para o sofrimento, os instrumentos que ao fim de tudo vão amenizar aqueles efeitos que a Sorte lhe impõe.

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